Letra Memórias Póstumas - Jao
Eu não vejo graça mais em nada
Quando ameaça a madrugada, eu volto a sair
O 7411 me espera, mas vejo fumaça da janela
Tem alguém aí na sua sala? Não dá pra ver daqui
E eu escalo os andares sujos do seu condomínio
Subo com minhas mãos sobre os tijolos
Mas eu escorrego e é difícil
Saber que a última coisa que eu vi dali foram seus olhos
Sinto o ar me levando ao chão
Sobre os meus ossos espalhados no vão
É poético e engraçado
Que eu tenha tido tempo de pensar em te pedir desculpas
Pela inconveniência
De escorregar no vento e morrer em frente à sua casa
Tente não ser o primeiro
A roer as frias carnes do meu corpo passageiro (Ah)
Não quero discursos prontos
Só me leve uma foto do seu rosto no enterro (Ah)
E me deixe levar pra onde quer que eu vá (Ah)
Sua lembrança (Ah)
Vim do lado de lá, eu preciso de alguém
Pra me ensinar como a vida avança
Sinto o ar me levando ao chão
Sobre os meus ossos espalhados no vão
É poético e engraçado
Que eu tenha tido tempo de pensar em te pedir desculpas (Ah)
Pela inconveniência
De escorregar no vento e morrer em frente à sua casa
À sete palmos com tempo a pensar
Remontei minhas memórias
Eu vi as aves e os dinossauros
Os primatas se espantando com os astros
Busquei nas pedras e nas palavras
E aprendi, enfim, o significado
O fim nasce no ventre
Desde que o mundo tinha só dentes de leite
Escrevo à noite e a luz se apaga
E eu me despeço, então, sem deixar nada
Nada, nada, nada
(Acabou! Finalmente acabou!)
(Parabéns, parabéns, meu amor)
(Eu também te amo, foi maravilhosa)
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